O poder público compreende a necessidade da população?

Entender o que acontece com a população não é tão fácil quanto parece e fazer a leitura dos desejos de uma sociedade é um caminho vasto a ser percorrido.

 

O poder público compreende a necessidade da população?

 

Vivemos num mundo com mais de 190 países, culturas distintas, características diversas, inúmeras necessidades e vontades. Ao analisar o panorama geral é impossível responder a questão prontamente.

Já ouviu a expressão linha de desejo?

O filósofo francês Gaston Bachelard criou a expressão linha do desejo para definir o que se chama de trajeto social. Mas o que seria esse trajeto? Aquele caminho indicado, onde pessoas passam e deixam as marcas da sola de sapato, como quem aponta a estrada que deseja percorrer. O questionamento que o filósofo deixou na década de 50 chama atenção justamente para o tema. O poder público atende e/ou entende quais são as expectativas de um povo?

O que diz o especialista em estratégia de inovação, geoff mulgan?

Segundo Geoff Mulgan, um dos maiores especialistas do mundo em estratégia de inovação para governos do futuro e CEO da NESTA (Fundação Britânica Global Inovadora), todos podemos aprender uns com os outros, o poder público tem o dever de ouvir e compartilhar destes anseios para sanar as dificuldades.

Mulgan ocupou vários cargos no governo britânico e durante o comando, esteve em diferentes partidos. Para ele as questões ideológicas não são de direita, centro ou esquerda, o debate acontece como um todo, o trabalho serve para melhorar a sociedade.

A convite da Unidade de Inovação do Governo do Estado de São Paulo, Mulgan fez uma passagem pela cidade, e falou a respeito dos desafios inovadores do NESTA. A entidade investe em projetos na fase inicial, faz pesquisas, lança desafios públicos com o objetivo de solucionar problemas e/ou aproveitar oportunidades, além de executar diversos programas.

Para Mulgan, nem tudo é dinheiro, a inovação relaciona-se mais com a evolução do que com o financeiro. É preciso pensar em novos sistemas a fim de modificar a realidade. Obviamente que, dentro do panorama brasileiro, essa teoria parece frágil, tendo em vista a situação atual dos hospitais do país. Por isso, faz-se fundamental identificar aquilo que na gestão pública relaciona-se a dinheiro ou depende de melhor organização.

Caminho longo e de possibilidades

A jornada é longa, a criação de novas estruturas dentro do setor público é uma forma de focar na geração de ideias e assim dar voz aos distintos espaços da sociedade. Um exemplo do assunto é nova tendência I-Teams (Inovation Teams), equipes especializadas para gerenciar as atualizações do governo, que exploram as experiências ou desejos dos cidadãos e pensam em resolver os problemas urbanos.

O resultado desse trabalho é a criação de serviços eficientes que promovem a mudança de comportamento, gastam menos recursos e tem como foco principal: a felicidade.

Os apontamentos que, muitas vezes, parecem indissolúveis ao poder público, podem ser prontamente solucionados quando se ouve quem realmente vive o ou no problema: a população. Por isso, a sociedade precisa cada dia mais de um diálogo, de conversas participativas, de entender os processos existentes, para que a situação transcenda o monólogo egocêntrico.

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