Mais de 80 deputados mudam de sigla na abertura de janela


Mais de 80 deputados federais mudaram de partido na atual janela. Movimentação permitiu que os congressistas mudassem de partido sem perder o mandato por infidelidade. Dez deles estão em um novo partido pela quarta ou quinta vez, desde que iniciaram o mandato, em 2015.

Cícero Almeida (AL) é o campeão nas mudanças. Elegeu-se pelo PRTB, migrou para o PSD, depois para o MDB e agora, filiou-se ao PHS.

O deputado Sérgio Zveiter (DEM-RJ) passou por quatro partidos durante o atual mandato (PSD, PMDB, Podemos e DEM).

Sergio justificou as mudanças por questões locais e pelas convicções que carrega. No ano passado, ele saiu do MDB antes de sofrer punição por ter apresentado um relatório que favorecia a denúncia contra o presidente Michel Temer.

Danilo Forte (CE) é outro deputado que transitou por quatro partidos durante quatro anos. Com menos de quatro meses no DEM, resolveu ingressar no PSDB, alegando questões locais. Ele já passou por MDB, pelo PSB, rompeu com o partido, para agora ser tucano.

Ocorrerão ainda alterações no quadro. O prazo terminou na sexta (6), mas os partidos podem informar os novos filiados para a Justiça Eleitoral no final desta semana. Muitos fizeram acertos de gaveta, que se tornarão públicos dentro de alguns dias.

Balanço

Até o atual momento, o partido com maior crescimento é o DEM. Coligação do presidente da Câmara e pré-candidato à Presidência da República, Rodrigo Maia (RJ). Tendo eleito 21 deputados, no início da janela, o partido tinha 33 cadeiras, até sexta-feira, somava 40. O dobro do que conseguiu eleger.

O PSL é outro partido de destaque. No ano de 2014, conseguiu eleger um deputado. Após a entrada do candidato Jair Bolsonaro, o partido obteve uma bancada de dez deputados.

O senador Álvaro Dias (PR), pré-candidato ao Planalto, quase quintuplicou sua bancada desde a eleição, passou de 4 para 18 deputados.

Em média, os partidos PP e PR, conhecidos como “centrão”, ganharam cadeiras.

As grandes siglas tiveram saldos negativos. O MDB de Michel Temer, elegeu 65 deputados e hoje tem 51. O PT, da ex-presidente Dilma Rousseff, elegeu 68 e caiu para 57.

Dos partidos que tem candidato à Presidência, Marina Silva (Rede) vive o pior cenário. Apesar de estar na parte de cima das pesquisas eleitorais, seu partido tem apenas dois deputados. Para participar dos debates, ela precisará ser convidada. A lei exige a presença de candidatos em que as legendas tenham, no mínimo, cinco congressistas.

Uma lei aprovada em 2015 permite que a janela para as mudanças de partido fique aberta por um período de 30 dias em ano eleitoral.

O atual presidente, Michel Temer, continua contando, na teoria, com larga margem de apoio, mas na prática, sua base é frágil. Com as proximidades das eleições, os integrantes dos partidos governamentais se distanciam do desgaste da gestão emedebista.

Fonte: Folha de S.Paulo

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