De acordo com o Gremar, o lixo foi a causa da morte de mais de 300 animais em SP

O número de animais marinhos que morrem pela ingestão de lixo tem crescido nos últimos três anos na Baixada Santista, no litoral de São Paulo. Segundo as informações do Instituto Gremar, instituição que integra o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), desde setembro de 2015, o lixo provocou a morte de 319 animais na Baixada Santista, 11% de todos os animais mortos na região neste período.

A ingestão de lixo continua sendo uma das principais razões de encalhes de animais marinhos resgatados. As espécies que vivem no oceano são as mais afetadas, devido à alta concentração de resíduos em alto mar. De acordo com Rosane Fernanda Farah, bióloga responsável pelo Gremar, o número de óbitos em decorrência da ingestão de lixo tem aumentado com o passar dos anos. Em 2016, 102 mortes foram registradas. No ano seguinte, 125. E, até maio deste ano, já foram 23.

Desde setembro de 2015, no total, 2.901 animais morreram após serem resgatados ou durante o tratamento e somente 1.465 (21,9%) animais tiveram o diagnóstico final determinado, por conta do estágio de decomposição das carcaças encontradas. Destes, 319 morreram por causa da ingestão de lixo, sendo que 267 (35%) foram quelônios, como tartarugas, cágados ou jabutis, 47 aves e cinco mamíferos.

“Tem casos de animais que ingerem pequenas porções e conseguimos fazer com que eles defequem com a ajuda de medicamentos ou estímulos. Mas, outro não. O lixo acaba obstruindo o trato digestivo deles. O animal não consegue defecar o lixo, fica preso no intestino, ele não come mais, fica magro e morre”, explica a bióloga.

A ocorrência maior dos casos contendo lixo é nas tartarugas marinhas, principalmente, as tartarugas-verdes (Chelonia mydas). Dos 23 animais mortos neste ano por conta do lixo, 21 são tartarugas. “As tartarugas são animais que se alimentam no costão. Não conseguimos relacionar o local de encalhe com as mortes. Porém, nos locais onde há pesca tem muito lixo como linhas, anzol, coisas que o pessoal acaba jogando no mar. Animais já chegaram aqui com a nadadeira amputada por causa de apetrechos de pesca que ficaram enroscados neles”, conta a bióloga.

Para transformar essa realidade, as equipes do instituto realizam ações de educação ambiental semanais com crianças, universitários, empresas, moradores locais e turistas, abordando a conscientização do uso e descarte de lixo e realiza a limpeza de praias na região durante o ano todo. “Isso é o reflexo do que vemos nas praias. A destinação do lixo errada nas praias. Má gestão do lixo por todos nós. Usamos a educação ambiental como uma ferramenta para sensibilizar as pessoas e para cada um fazer a sua parte”, finaliza ela.

Fonte: g1.globo.com

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