Como saber a idade que crianças devem acessar as redes sociais

Nas regras do Facebook, Instagram, YouTube e outras redes sociais está descrito que as contas podem ser criadas para quem tem mais de 13 anos de idade. Mas na prática, todos sabem que não é assim que acontece.
Segundo pesquisa realizada em 2017, 86% dos brasileiros entre 9 e 17 anos, que acessam a internet, têm perfil nas redes sociais. Nas idades de 9 a 10 anos, o índice é de 62%, e de 11 a 12 anos, 76%. Ainda de acordo com o estudo do Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), o Facebook e o WhatsApp são as redes mais acessadas nessa faixa etária.
Para o psicólogo Rodrigo Nejm, diretor de educação da associação Safernet, os pais precisam sempre questionar se os filhos têm maturidade para enfrentar esse local público com autonomia.
Tânia Zagury, filósofa e escritora, diz que os pais dessa geração convivem com a tecnologia há bastante tempo, por isso não veem problema em seus filhos acessarem a internet, acreditando que os filhos são mais maduros do que realmente são.
Segundo os especialistas, a solução não é proibir e nem enxergar a internet como vilã. O ideal é orientar as crianças para navegar de forma segura e saudável e, uma vez que elas tenham perfil, monitora-las.
A recomendação é manter um diálogo transparente com as crianças.

A seguir estão algumas dicas dos especialistas a respeito do assunto.

Com que idade meu filho deve ter acesso às redes?

Os especialistas recomendam respeitar a idade mínima das redes.
Vale ainda analisar a maturidade do filho, as vezes ele alcançou a idade mínima, mas saberá lidar com ambiente de forma saudável.

A criança não se sentirá excluída, caso não tenha acesso às redes sociais?

De acordo com Rodrigo Nejm é possível quebrar facilmente o argumento “todos meus amigos têm”. Os pais podem simplesmente explicar que cada família é diferente e, naquele lar, as regras são aquelas.
Tânia Zagury garante que a criança não ficará traumatizada. A pressão social sempre irá existir. Cabe ao adulto fazer papel de adulto e tomar a decisão que melhor cabe para a situação.

Devo ter a senha dos meus filhos?

Se os pais acreditam que o filho tem maturidade para acessar as redes, não existe a necessidade de ter a senha dele.
O importante é acompanhar o que eles postam e de vez em quando, acessar a rede junto com eles.
Para Nejm, se o filho não merece privacidade para este tipo de ambiente, não deve estar nele.
Para as crianças mais novas que os pais permitem o acesso às redes sociais, existe a possibilidade de criar contas conjuntas onde todos têm a senha. Mas ainda assim é importante acessar a conta com o filho ao lado.

Qual o problema das crianças entrarem cedo nas redes sociais?

Além de estarem vulneráveis a desconhecidos que cometem crimes na internet, as crianças não tem maturidade para lidar com as adversidades deste ambiente. Elas ficam expostas ao bullying e problemas da adolescência.
Segundo os estudos, o excesso de tempo nas redes pode atrapalhar o rendimento escolar, a concentração, o desenvolvimento motor, social e emocional.

Como saber se existe algo acontecendo com meu filho nas redes?

Quando passam por dificuldades, as crianças e jovens costumam mudar o comportamento. Ansiedade, tristeza, alteração de humor, na alimentação etc.
É preciso estar atento.

Se eu uso muito as redes sociais, meu filho fará o mesmo?

Pais são a primeira referência para os filhos. Se enquanto comem, os pais ficam de olho nas redes e conversam com os filhos, esse será o exemplo que ele terá.
Por isso, é importante criar regras para todos de qual o momento correto de estar conectado a internet.

Fonte: Folha de São Paulo

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